O Prémio Valmor de 1902 foi atribuído ao Palácio Lima Mayer (1), uma construção de 1901, situada na Avenida da Liberdade fazendo esquina para a Rua do Salitre e da qual Adolfo de Lima Mayer era proprietário. O arquitecto foi Nicola Bigaglia (?-1908), italiano radicado em Portugal. A propriedade incluía, para além do edifício, um extenso jardim, no qual, em 1921, se edificou o Parque Mayer. Actualmente funcionam no edifício serviços da Embaixada/Consulado de Espanha. O Prémio de 1903 coube a um edifício, a Casa Ventura Terra (2), na Rua Alexandre Herculano, 57, do qual Miguel Ventura Terra (1866-1916) foi o arquitecto e proprietário. Edifício com decoração sóbria, vãos esguios com persianas articuladas de recolha lateral, elementos que o distinguiram dos edifícios da altura. Destaque ainda para o friso superior de azulejos pintados no estilo Arte Nova. Mantém a função original, habitação para rendimento. Em 1904 o júri decidiu não atribuir o Prémio Valmor, por considerar que «nenhum dos prédios concluídos em Lisboa durante o ano findo reúne o conjunto de condições artísticas essenciais para ser classificado em mérito absoluto», propondo apenas duas Menções Honrosas. Uma delas, a Casa Lambertini (3), cujo proprietário Michelangelo Lambertini exprimiu a sua revolta apelando mesmo à Câmara no sentido desta anular a decisão, localiza-se na Avenida da Liberdade, 166-168, tendo por arquitecto Nicola Bigaglia, anteriormente distinguido. Edifício concebido para cumprir as condições do testamento do Visconde, inspira-se na Renascença Veneziana, o estilo Lombardesco, com uma decoração em mosaicos, executados em Veneza, inspirada na Igreja de S. Marcos. Actualmente em bom estado de conservação, destina-se a habitação e escritórios. A segunda Menção Honrosa coube a um edifício de habitação (4), também na Avenida da Liberdade (262-264), que teve como arquitecto Jorge Pereira Leite e cujo proprietário era António José Gomes Netto. Apesar de ser um edifício premiado, a sua fachada encontra-se degradada. Mantém a função original. Em 1905 foi premiada a Casa Malhoa (5), localizada na Avenida 5 de Outubro, 6-8, edifício que serviu de habitação e também atelier ao pintor José Malhoa, seu proprietário, um projecto do arquitecto Manuel Norte Júnior (1878-1962). Edifício no seu conjunto equilibrado, influenciado pelas linhas Arte Nova, sendo visível nas serralharias dos muros, varanda e portões, e também nas decorações em azulejos nos frisos. A grande janela em ferro, que iluminava o atelier do pintor, é um dos elementos de relevo na composição da fachada onde se insere. Em 1933 o edifício foi adquirido pelo Dr. Anastácio Gonçalves, que o doou ao Estado, sendo actualmente a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves. Em 1906 o prémio coube à Casa Viscondes de Valmor (6), propriedade da Viscondessa de Valmor, localizada na Avenida da República, 38, e com projecto de Miguel Ventura Terra. Segundo o júri, o imóvel proporciona uma «(...) perspectiva agradável do cruzamento de duas artérias (...)». Realça ainda «(...) a boa e lógica proporção (...)» das suas formas. Edifício elegante e agradável, bem conservado, encontra-se revestido a pedra clara, possuindo também, um frontão central com painel de azulejo, decorado com motivos Arte Nova. Actualmente é a sede do Clube dos Empresários. Em 1907 foi a vez de uma moradia, a chamada Casa Empis (7), na Avenida Duque de Loulé, 77, propriedade de Ernesto Empis e arquitectura de António Couto de Abreu (1874-1946). Edificado em estilo Francisco I, inspirado na Renascença Francesa, lembrava o castelo de Blois e a casa de Diana de Poitiers. Foi o primeiro edifício premiado com Valmor a ser demolido, em 1954, ocupando actualmente o seu lugar um edifício de 7 andares. Em 1908 premiou-se, pela primeira vez, um edifício de rendimento (8) cujo piso térreo era ocupado por estabelecimentos comerciais. Edifício de gaveto, localiza-se na Avenida Almirante Reis, 2-2K, propriedade de Guilherme Augusto Coelho com projecto de Arnaldo R. Adães Bermudes (1864-1948). De destacar a decoração em motivos Arte Nova, com elementos em ferro forjado e painéis de azulejo, e ainda a cúpula que remata o edifício. Actualmente um pouco degradado, mantém a função original. Houve também uma Menção Honrosa, em 1908, atribuída a um prédio (9) na Avenida da República, 36, propriedade de Henrique Pereira Barreiros e arquitectura de Manuel Norte Júnior. Foi demolido nos anos 1949-1950, dando lugar a um prédio de habitação com 8 andares e lojas no piso térreo. No ano de 1909 foram entregues quatro prémios, três dos quais Menções Honrosas. Nesse ano o Prémio Valmor coube ao Palacete Mendonça (10), na Avenida Marquês de Fronteira, 18-28, um projecto do arquitecto Miguel Ventura Terra para Henrique José Monteiro Mendonça. Edificado no alto do Parque Eduardo VII e um pouco recuado em relação à via pública possui uma fachada simérica e de expressão algo italianizante. O júri destacou ainda a “loggia”, afirmando mesmo que «(...) deveria ser mais amplamente adoptado no nosso pais (...)». Dos edifícios premiados com Menção Honrosa apenas um deles, um Palacete (12), na Rua do Sacramento à Lapa, 34, do arquitecto Arnaldo R. Adães Bermudes e propriedade do Conde de Agrolongo se encontra ainda em bom estado de conservação e destinado a habitação. O edifício (13) da Rua Tomás Ribeiro com projecto do arquitecto António C. Abreu, propriedade de João António Marques Sena foi demolido em 1954, ocupando agora o seu lugar um edifício de escritórios e o edifício (11) da Avenida Duque de Loulé, 72-74, da autoria de Adolfo A. Marques da Silva (1876-1939) para Fortunato Jorge Guimarães, teve um destino semelhante. Demolido em 1965 para dar lugar a um edifício com vários andares e lojas. Outros acontecimentos nesta década: 1902 – Inauguração do elevador de santa Justa; 1903 – Publicação do novo regulamento de salubridade para as construções urbanas; 1904 – Aprovação do Plano Geral de Melhoramentos, apresentado pelo engenheiro Ressano Garcia (1847-1911); 1905 – Desenvolvimento das construções ao longo da Avenida Fontes Pereira de Melo e da futura Avenida da República; Jardim Zoológico, nas Laranjeiras, Raul Lino; 1907 –Animatógrafo do Rossio; 1908 - Projecto para o Parque Eduardo VII de Ventura Terra; |